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  • Writer's pictureMaria ISAAC

Tantos livros e tão pouco tempo

Não importa quantos livros lemos, porque gostaríamos sempre que fossem mais.

E se assim é, então o que nos impede de ler tudo aquilo que gostaríamos?

Os vilões, são os do costume: tempo, dinheiro, e também um bocadinho de sorte ou azar, porque é preciso sempre um bocadinho de sorte para conseguir aquela combinação mágica “de nos cruzarmos com o livro certo no momento certo”, que nos faz devorar páginas sem parar e nos poupa àquelas fases insossas de leituras mornas, quando não conseguimos encontrar livros nem histórias que nos apaixonem.

Neste novo episódio sobre nós, leitores ambiciosos que querem sempre mais; vou falar:

  • Das minhas experiências entre páginas e partilhar alguns dos “bons” hábitos que me foram ajudando a ler mais e melhor

  • E ainda uma nova experiência que pretendo pôr em prática muito em breve!

Bem-vindo a mais um episódio!


Estou entre aquelas pessoas que acreditam ser possível encontrar tempo para tudo, só que não na mesma proporção, e nem sempre quando queremos.

Distribuir o tempo de um dia, de uma semana, por aquilo que de facto consideramos importante, é uma gestão de prioridades que não é fácil para ninguém, porque obriga a escolhas e a disciplina.

Mas agora, estamos novamente com dias mais longos, noites quentes, férias à porta e mais tempo para fazer o que mais gostamos.

Se me estás a ouvir, sei que temos a leitura em comum, nesta longa lista do que mais gostamos de fazer.

No entanto serão as férias uma boa altura para fazer resoluções de leitura?

Na minha opinião, não.

Sem dúvida que é um tempo extra para leitura, que deve ser aproveitado, mas e se virmos antes a leitura como um hábito, em vez de um momento de exceção? como é o caso do período de férias.

Aqui um exemplo do que quero dizer:

Aproveitar as longas horas de leitura na praia pode valer-nos meia dúzia de livros por ano. O que é bom. Abrir um livro todos os dias na cama, ao deitar, meia hora antes de adormecer, vai valer-nos dezenas de livros.

Os dois não se excluem, claro (e a combinação deles é mesmo o ideal) estou aqui a usar este exemplo apenas para argumentar a favor de manter a leitura como parte do dia-a-dia.

Como já tive oportunidade de referir anteriormente, comecei a ler numa fase mais tardia e sem grande orientação, os meus hábitos de leitura foram caminho desbravado com muitas tentativas bem intencionadas e erros que poderiam ter sido evitados.

Escolher qual o livro que vamos ler, hoje, é bastante fácil. Existem imensas fontes de referência e as amizades literárias virtuais, com as suas sugestões preciosas, nunca estiveram tão acessíveis, mas eu, com uns 13 anos, a viver numa terrinha muito parada, ainda sem se saber muito bem o que era a internet, e o único sítio onde se podia comprar livros era na minúscula papelaria, tive a vida um pouquito mais difícil.

No meu doce e melancólico cenário rural, restou-me a biblioteca, que tal como muitas outras no início da década de 90 (imagino eu), poucas novidades literárias recebiam, mas compensam-nos com uma imensidão de clássicos.

Não foi amor à primeira vista, não foi não, os clássicos podem ter histórias lindas e intemporais mas a escrita é um quebra-cabeças e até que eu me conseguisse orientar foi, acreditem, mais um exercício de teimosia do que propriamente gosto de leitura (muito menos prazer) .

A falta de escolha foi o meu melhor professor de português (que me veio a dar muito jeito anos depois nas aulas) e assim descobri o meu estimado Eça, Camilo Castelo Branco, Jane Austen, Dickens, e tantos outros.

Felizmente para toda a gente, este meu problema de há tantos anos já não se coloca, e todos podemos escolher, neste mundo virtual cheio de livros, e encontrar facilmente o romance, o mistério, o livro de fantasia que nos apetece ler em determinado momento, e que é tão fundamental para nos fazer ansiar pelo próximo livro.

É a coisas mais simples e a mais importante, este encontrar o “livro certo” para a nós, porque se passarmos horas maravilhosas a ler um livro, é óbvio que assim que o terminamos vamos querer outro.

Sejam cuidadosos na vossa escolha, e lembrem-se de que, mesmo quando o somos, nem sempre um livro corresponde às expectativas. É inevitável que por vezes não corra bem e não deve ser desmotivador.

Quando me acontece a mim, avanço para outro. Sei que alguns de vocês não conseguem desistir de um livro, e em outros tempos também eu me agarrava a esse “compromisso” e à crença de que, mais à frente, depois de algumas páginas poderia mudar, poderia haver ainda algo a descobrir.

O argumento de que não podemos dizer que não gostamos de um livro antes de o ler até ao fim, é um argumento forte e válido. Mas já deixou de ser suficiente para mim.

Existem sempre livros que dão muito prazer a ler, outros nem tanto, e acho que nem consigo definir quais os critérios que me levam a decidir desistir, talvez seja um sentimento, a sensação de que uma leitura não está a ser o que deveria ser: aquele, refúgio de bem-estar.

O livro em papel no formato tradicional é o favorito da grande parte dos leitores, e também o meu, mas leitor preparado não rejeita opções!

E hoje, os ebooks, são uma boa opção.

Duvidas? Tens toda a legitimidade para duvidar. Um dos comentários mais comuns de quem lê em e-readers, como por exemplo o Kobo ou o kindle, é: nunca pensei que fosse gostar!

Livro em papel e eletrónico são como as escadas e os elevadores, ambos têm o seu lugar na nossa vida!

Percebi que se tirasse partido dos vários formatos disponíveis, eles me permitiam aproveitar todos os pequenos momentos livres que existem ao longo do dia e que tantas vezes perdemos por distração.

Um tablet ou e-reader leva uma biblioteca inteira de opções. Perfeito para viagens, para andar sempre na mala.

Ler no telemóvel é aquela opção sempre à mão! Já que não conseguimos passar sem ele, é um recurso que nunca nos falha quando inesperadamente alguém nos deixa à seca e nos esquecemos de trazer o livro.

E não esquecer os audiobooks, a minha mais recente descoberta.

Quando andava de transportes públicos regularmente, utilizava um Kindle, e os livros eletrónicos eram o meu formato favorito; mas quando mudei de local de trabalho e passei a ter de usar o carro, os audiobooks, que nem sequer me passavam pela cabeça, salvaram-me a vida ao ajudarem-me a manter a sanidade mental nas longas horas no trânsito.

Como em tempo nos dizia uma esotérica famosa: não negues à partida, uma ciência que desconheces.

Se tens alguma sugestão para mim, já sabes que estou interessada em saber.

Não importa quantos anos leve nesta vida de leitora, aparecem sempre ideias por experimentar.

Há pouco tempo sugeriram-me: ler em voz alta, não apenas para uma experiência de leitura diferente, mas para a aliar a uma outra experiência fundamental que é o nosso tempo passado em família e a partilha de momentos bons com aqueles que nos são mais queridos.

E que melhor forma para o fazer do que a ler-lhes em voz alta uma boa história ou o mais recente livro do nosso escritor preferido?

A ideia entusiasmou-me logo.

Já lemos às nossas crianças, nós adultos também merecemos!

Quero muito contribuir para resgatar este que é um hábito antigo e com tanto potencial para enriquecer as nossas relações.

Não precisamos de atirar a televisão ao lixo, nem rejeitar nenhum dos outros hábitos que gostamos, é só uma oportunidade para acrescentar um serão diferente aos nossos serões habituais.

Ora, isto de mudar hábitos nem sempre é fácil e a juntar à nossa preguiça cerebral nata, a vida de cada um de nós tende a colocar-nos entre mãos mais do que o desejado, e a obrigar-nos a malabarismo de tempo que mal conseguimos dar conta.

Por isso, não vamos complicar ainda mais. Os pequenos truques são uma ótima ajuda para nos tornarmos grandes leitores, tudo o que precisamos é ter o cuidado de escolher aqueles que são mais certos para nós, um de cada vez, sem deixar de continuar a experimentar ideias novas. Alguns servem, outros não, há ainda os que funcionam apenas em determinadas alturas da nossa vida…

Desafia-te a questionar os teus hábitos de leitura e acredito que encontrarás novas rotinas que te vão deixar ainda mais orgulhoso do leitor em que te estás a tornar.

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