top of page
  • Writer's pictureMaria ISAAC

Bem-vindo ao Palavra!

Aqui, as noites são literárias; descobrem-se livros, grandes escritores, contam-se histórias, fala-se de coisas estranhas.

Eu sou a Maria Isaac, e estou contigo neste podcast.


***


Ouvi dizer que gostas de podcasts… Se a tua resposta é: sim... mas ainda prefiro livros, então, estás no sítio certo!


Neste primeiro episódio, vou dar-te as boas vindas e mostrar-te os cantos à casa.

Bem-vindo! Bem-vindo! Bem-vindo!


***


É ótimo poder estar aqui, agora a viva voz, num novo formato. Para mim, acreditem, não é fácil deixar o silêncio do papel. Mas...! Como costuma acontecer nas aventuras (e este podcast é de facto uma grande aventura) a experiência está a ser, empolgante e intimidante, em partes iguais.


Entre muitas outras coisas, colocou-me novas questões.

A começar, responder à pergunta: porquê? Porquê criar um podcast?

  • Possível resposta nr. 1: porque nunca fiz nada semelhante.

  • Possível resposta nr. 2: Porque não!?

  • Possível resposta nr. 3: Porque eu gostava que existissem mais podcasts sobre livros, as histórias e os personagens que eles nos dão a conhecer, os escritores que os escrevem... EM PORTUGUÊS.

E assim, seguindo o provérbio: sê a mudança que queres ver no mundo. Aqui começa o meu pequeno gesto: um podcast literário!


***


Podcast, Maria Isaac: a combinação dos dois, não me pareceu uma possibilidade assim tão terrível à partida e, bem ao estilo das coisas descabidas, quanto mais tempo lhe damos, melhor ela fica.


Afinal, é neste tipo de desafios que é posta em causa, a narrativa que construímos sobre nós mesmos. O que me levou a repensar: a forma como comunico; e a postura que tenho vindo a adoptar, nas mais diversas situações.


Há muito tempo que me assumo como membro do clube dos introvertidos, e digo-o facilmente, como quem se explica através de um rótulo social, que expõem defeitos e virtudes e simultaneamente os justifica.


Por isso, é fácil perceber porque escolho este rótulo: ele é conveniente e valida o meu lugar, sempre em segurança, entre os que observam... os que estão atentos aos detalhes, os que vão apreciando a vida dos outros…. a fascinante diversidade da vida dos outros, que tem sido a minha maior inspiração.


Acho que não estou sozinha nisto.

Quem nunca se sentou numa esplanada, num banco de jardim ou de testa colada ao vidro da janela lá de casa... e se deixou levar pelos rostos que passavam? Se pôs a inventar-lhes um nome, uma família... a imaginar para onde caminham naquele momento a passo apressado? Se os espera uma casa vazia? Ou cheia? Se são gentis para quem os ama? Quando foi a última vez que choraram? E porquê?


Talvez não o faças há muitos anos, porque isto é uma brincadeira de faz-de-conta, mais coisa de criança do que dos adultos ocupados que somos….


Nós crescemos - e nesse entretanto - o tempo vem ganhando vida própria... não é? Há dias em que até parece que é ele, quem nos utiliza a nós.


Acredito que este encanto que sentimos por uma boa história, é universal.

Há aqueles de nós que se ficam pelo imaginar... o Era uma vez… e se?... há quem as escreva, quem leia, as ouça, as partilhe... e há quem torne, os outros, num projeto de vida.


Um exemplo é o Story Corps - Story Corps é um projeto que vem gravando conversas entre pessoas comuns, americanos neste caso, e tem mais mais de meio milhão de histórias guardadas. Vou adicionar no blog um link para a apresentação que o fundador deu no TED sobre este projeto. Vale a pena assistirem.

Pode ser que alguém se inspire a desenvolver algo semelhante em Portugal. Passem a palavra!


E há ainda, uma biblioteca muito original: A Biblioteca Humana… ouviram falar?


Este é um projeto que teve início há alguns anos e que veio tornar possível requisitar uma conversa com um desconhecido - tal como podemos requisitar um livro numa biblioteca convencional.

Genial, não vos parece?

A Biblioteca Humana tem um catálogo composto por uma base com voluntários, pessoas que se disponibilizam para conversar abertamente sobre temas como religião, abuso de drogas, como é viver com doenças e limitações físicas ou mentais; e muitos outros aspetos que definem as suas vidas privadas.

Se nunca tiveste uma conversa com, por exemplo um muçulmano, na Biblioteca Humana vais encontrar vários muçulmanos disponíveis a conversar contigo e responder às questões que possas ter.

Fantástico, não é?


A grande maioria de nós participa nesta partilha de humanidade, como observador... E este é um lugar muito confortável… onde eu também tenho estado… isto é, até há poucos dias atrás, quando surgiu esta ideia de podcast!


Agora proponho-me a deixar aqui o meu contributo - a pensar em voz alta, e responder às questões que me queiras colocar.

Podes escrever-me para mariaisaac.pt@gmail.com


***


Quando ajeitei aqui o micro e comecei a gravar - há um par de horas atrás - porque isto de começar leva o seu tempo - vim reformulando os temas que gostava de abordar aqui no podcast, uma vez que há tantas formas de falar sobre livros e escritores, escrita e leitura…


Bem... estou confiante que, nestes próximos episódios que se seguirão, vai acabar por se definir naturalmente; episódio a episódio. E como referi: também se aceitam sugestões.


Poderás encontrar no Blog PalavraPodcast a transcrição dos episódios, links úteis associados com os temas que vou partilhando, e sempre que possível, alguns extras.


***


E agora, só para ti, que gostas de prolongar a noite e que não resiste a uma história: Convido-te a ficar mais um pouco. Porque a seguir - e ainda em jeito de apresentação neste primeiro episódio do podcast - vais poder ouvir o prólogo de Onde Cantam os Grilos.


Porque, o que é um escritor…? Senão as suas palavras?




Prólogo



No final, esta história poderá parecer uma tragédia. Mas não é essa a minha intenção.

Vou tentar escrevê-la novamente, a história dos Vaz e da Herdade do Lago, desta vez como uma história de amor. Desvendará o coração de duas pessoas, a vida de muitas outras, só que em vez de um herói e de um vilão, ter-me-á apenas a mim.

Bem, talvez também não dê uma grande história de amor. Sim, chamemos-lhe uma tragédia. Porque não? Todos somos protagonistas de uma. Todos nós morremos no final.

Mas tenho de vos contar este pedaço da história – se não for para me redimir, que seja pelo menos, como uma última tentativa, para sossegar uma consciência que se sente em falta.

Tenho um cenário verdadeiramente idílico, nesta herdade, mesmo num dia chuvoso e lúgubre como o de hoje. Um lugar no Portugal esquecido, verde, frio e húmido, berço de tantas infâncias, onde o meu corpo de adulto já não combina. Há muito tempo que não tenho lugar aqui.

Continuo a tentar. Reescrevo com mais paciência. Recordo todos os rostos do passado e desejo que, desta vez, as palavras lhes façam justiça.

Confesso que não sei como me apresentar, nem a esta História dos Vaz e da Herdade do Lago. O que posso dizer-vos é a verdade, mesmo nos momentos em que seria melhor mentir. E se, ao longo das páginas que se seguem, começarem a gostar um bocadinho menos de mim, peço-vos que se lembrem desta promessa... e de que esta história não é sobre mim, é sobre todos eles.

A Herdade do Lago é aquele quadro gigantesco na parede de um museu, pelo qual não conseguimos passar sem reparar. O quadro de que toda a gente gosta, mas no qual ninguém se demora e é abandonado sempre cedo demais. Porque esta herdade entra na memória como a inspiração, como uma corrente de ar pela brecha de uma janela mal fechada – cada um sente-a, imagina-a e inventa-a.

Não consigo contar-vos as origens da Herdade do Lago. Existem demasiadas versões, sem a certeza de que alguma delas seja a verdadeira.

Da pouca consensualidade entre as lendas, dizia-se que a herdade era deslumbrante, gigante, adorada por cada um dos seus donos e que todos eles tinham o apelido «Vaz», que sempre assim o fora e sempre assim seria.

Ah! E uma maldição. Há sempre uma maldição com hálito de destino trágico – sem nenhuma moral no final da história.

Quanto a este passado, o passado da herdade e das muitas gerações dos Vaz, não vou alongar-me; dele existem versões suficientes. Vou começar quase pelo fim, quando lá cheguei.


***


Obrigada por estares desse lado e partilhares desta noite comigo.

Poderás encontrar no Blog PalavraPodcast a transcrição de todos os episódios, com links úteis.

E se quiseres falar comigo, sabes como me encontrar.

Deixo-te agora de volta ao teu livro.

Eu sou a Maria Isaac. Boas leituras. Até ao próximo episódio.



Comments


bottom of page