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  • Writer's pictureMaria ISAAC

Feira do Livro de Lisboa


Temos uma nova edição da Feira do Livro de Lisboa à porta e, como manda a tradição, lá estaremos.


Este é o evento do ano para muita gente, eu aqui deste lado já com o braço no ar, e não há festa, concerto ou festival que se possa equiparar a uma avalanche de livros e leitores à sua descoberta.


Eu já tenho a data em que vou lá estar, e será logo no primeiro fim-de-semana!

Sábado, dia 27, às cinco da tarde, no stand da Cultura Editora.


No episódio do ano passado, aqui no podcast, falei-te sobre a Feira do Livro e a sua história até chegar finalmente a instalar-se no Parque Eduardo VII, agora vou partilhar alguma da “minha” história com a Feira.


Bem-vindo!

***


Aí está ela novamente!

Nem uma pandemia a conseguiu parar e já estou de olho na agenda em contagem decrescente.


Começa a Feira do Livro de Lisboa, no sítio do costume.


Lá estamos todos a fazer refresh na página online da Feira para ter novas informações em primeira mão sobre os livros do dia, a presença dos nossos escritores favoritos e tudo o mais que possa ajudar-nos a organizar um plano de ataque, quero dizer, plano de visitas e em que livros vamos limpar com o nosso saldo.


Eu tenho o privilégio de poder viver a Feira enquanto leitora e também escritora.

É uma ocasião em que há a oportunidade de nos cruzarmos com editores e outros escritores, muitos que ao longo dos anos se tornaram também grandes amigos e… claro, principalmente conhecer os leitores dos meus livros, todos vocês que gostaram de conhecer o nosso Formiga, a sua história dos Vaz e Mont-o-Ver, a nossa querida vila que, em breve, voltaremos a visitar… mas esse é tema que ficará para um outro episódio.


Nesta edição da Feira vamos poder ver-nos logo no primeiro fim-de-semana!

Sábado, dia 27, às cinco da tarde, no stand da Cultura Editora.

Espero que consigas ir e não esqueças de me dizer que ouves o podcast para podermos falar sobre os episódios que mais gostaste de ouvir.



Eu cresci a mais de 250km de Lisboa, nas Terras do Antuã lá para os lados do norte e por isso a simples existência da Feira do Livro, ou de que se tratava tal coisa, só entrou no meu horizonte, bem tarde.


E mesmo quando aconteceu, tal como a maioria dos portugueses, eu continuava a morar bem longe de Lisboa e visitá-la não era uma possibilidade que sequer me passasse pela cabeça, embora sei que há muita gente a viajar dos quatro cantos deste lindo país para fazer uma visita e acho que fazem muito bem!


Eu nunca o fiz, a viagem mais longa para comprar livros era ir a Aveiro e já era uma loucura!


A primeira vez que visitei a Feira foi quando já morava nos arredores de Lisboa, tinha uns vinte anos e… apesar de estar super curiosa por finalmente poder ir à Feira e cheia de vontade de correr aqueles corredores acima e abaixo vezes sem conta e comprar livros como garrafas de água no deserto… a coisa não me correu nada bem.


Confesso que foi uma desilusão. Fui num dia de calor, havia tanta gente que era preciso lutar para não ser arrastada, caminhava entre encontrões, não conseguia ver os livros, não fazia ideia onde encontrar aqueles que queria… as barraquinhas não eram livrarias, eram editoras… editoras… o que raio são editoras? Onde está o livro da Philipa Gregory que eu quero??? Uma tarde para esquecer.

Lembro que naquela altura os telefones ainda não eram smart e toda a gente ainda usava um Nokia com orgulho.

A informação fluía de outra forma naqueles inícios dos anos 2000.


A experiência não foi boa e não voltei por um bom tempo.


É claro que a culpa não foi da Feira, eu é que não percebia nada da coisa e cometi todos os erros e mais alguns.


Curiosamente o que me fez regressar, não foi a leitura, foi a escrita.

Em 2006 quando comecei a experimentar escrever umas coisas e lá consegui terminar a minha primeira história com princípio meio e fim, como se costuma dizer, da qual não me envergonhava mas que obviamente nenhuma editora quis pôr mão, decidi-me a fazer uma edição de autor e mandei imprimir algumas dezenas de exemplares numa gráfica espanhola… bem, o resultado não ficou mau de todo e lá comecei a vender o meu peixe.


Acontece que uma das minhas primeiras leitoras quis que nos encontrássemos na Feira do Livro e então lá fui eu. Foi maravilhoso! Porquê? Porque aquela alma pura e abençoada me explicou tudo o que havia para saber, um verdadeiro curso de sobrevivência que incluía:


  • As melhores horas e dias para visitar a Feira (durante a semana, hora H, ou ao fim de semana depois da 17h e nunca com temperaturas acima dos vinte e cinco graus)

  • Fazer exceções apenas se quiser ir conhecer algum autor

  • Kit com lista de livros, mochila e garrafa de água

  • Agrupar livros por editoras

  • Localização das editoras

  • Pelo menos 2 paragens para descanso em cada subida ao parque e 1 na descida


Assim aprendi a ser feliz na Feira!



Avançando meia dúzia de anos e depois de a Marcador ter publicado o meu primeiro livro… dá para imaginar o meu xitex a roçar a histeria quando estreei como autora na agenda da ilustríssima feira do Livro de Lisboa!

Estava muito feliz confesso, mas… coisas inesperadas “não tão boas assim” também acontecem… e infeliz coincidência, eu andava com uns problemas de saúde nessa época e justamente na véspera de ir à Feira fui a uma consulta médica em que teria os resultados dos exames que tinha andado a fazer e o médico disse: tem de ser operada o mais urgente possível e só depois de a abrirmos é que conseguiremos ter uma ideia precisa de com o que estamos a lidar.

Ora, eu fui à Feira, e dei o meu melhor, mas estava bem a leste do paraíso. Nada confiante e cheia de medo do futuro.

Acho que esse dia ainda foi pior do que aquele primeiro dia, porque estragou o que era a concretização do meu pequeno sonho.


Felizmente tudo correu pelo melhor, existiram novos livros publicados e novas visitas à Feira.


Em 2017, como sabem, lá compliquei tudo com o projeto do anonimato e a tentativa de lançar os meus Grilos ao mundo sozinhos.

Voltei a ser apenas leitora na Feira em mais alguns anos e aconteceu uma coisa engraçada… acho que foi 2020, por causa da pandemia, que eu sou daquelas precavidas que não me aproximava de ajuntamentos, só fiz 1 visita à Feira nesse ano, num dia de semana à noite e tipo 20 minutos antes de fechar… e o que é que acontece? Justamente quando passo junto ao stand da cultura editora, estava uma senhora a comprar o Onde Cantam os Grilos. Fiquei quase tão feliz como aquela vez no metro, se te lembras, em que me sentei em frente a uma leitora estava a ler um livro meu.

Já sabes que sou perita em olhar e andar, e tal como da outra vez no metro, mantive o sorriso idiota e pus-me em fuga.


Mas…. no ano passado, 2021 como testemunhado pelos leitores maravilhosos que me visitaram, voltei à agenda, passeei em ótima companhia com as escritoras do Book Gang Helena Magalhães, a Íris Bravo, a Susana Amaro Velho, a MG Ferrey, conversamos com outros escritores maravilhosos, o Agualusa, o José Luís Peixoto… e estou muito contente por poder fazer parte desta festa literária inigualável.


Vamos lá voltar mais uma vez ao Parque com as nossas listas de livros!


Se ainda não tens na agenda, escreve:

Dia 27, sábado à tarde, vem ter comigo ao stand da Cultura que vou gostar muito de te ver. O Nuno Nepomuceno também lá está nesse dia… portanto é como no supermercado, 2 pelo preço de um.


Aproveita tudo! Lê muito!


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